Orçamento garantido é um dos responsáveis pelo bom desempenho das instituições públicas de Ensino Superior no Enade
Congresso internacional discutirá mapeamento do impacto da EaD
Como a aprendizagem acontece através das TIC's
Participação dos estados é fundamental para o programa Brasil Alfabetizado
11 de agosto de 2008
Tema da Semana
Orçamento garantido é um dos responsáveis pelo bom desempenho das instituições públicas de Ensino Superior no Enade
Roberto Lobo,
ex-reitor da USP e diretor da Lobo & Associados

O Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes) está perto de ser concluído. A implementação do Conceito Preliminar de Curso (CPC) é o penúltimo passo da construção do modelo. A última etapa se refere ao conceito preliminar das instituições, que deve ser anunciado até o fim do mês. A afirmação foi feita pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2007 e do conceito preliminar de curso, na última quarta-feira (06). O indicador combina o Enade, o Índice de Diferença de Desempenho (IDD) – que mede o valor agregado entre os alunos ingressantes e concluintes – e a avaliação de três variáveis: infra-estrutura, corpo docente e projeto político-pedagógico das instituições. No Enade 2007, o MEC avaliou 3.248 cursos em 16 áreas de conhecimento e reprovou 508 cursos universitários das áreas de saúde, agrária e serviço social em todo o país. Eles representam 25,1% do total dos cursos avaliados pelo MEC e receberam notas 1 ou 2, na escala até 5 do recém-criado conceito preliminar. As instituições privadas receberam 87% das reprovações. Entre as públicas, 3% (19) são federais. O novo indicador vai orientar a renovação das licenças de funcionamento concedidas pelo MEC. Os cursos com nota 1 e 2 serão visitados por fiscais do ministério. O conceito preliminar é formado por quesitos como opinião dos alunos sobre a infra-estrutura, projeto pedagógico dos cursos, percentual de professores com doutorado e o regime de trabalho dos docentes. As instituições terão um mês para recorrer. Após esse período, os cursos reprovados serão inspecionados pelo MEC. Em entrevista exclusiva ao TIC Educação, Roberto Lobo, ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Lobo & Associados, empresa de consultoria educacional, falou sobre a importância do novo índice. Lobo falou ainda sobre a lacuna que existe no IDD.

TIC – Qual a importância do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes) para conquistar e manter a qualidade da educação brasileira?

Roberto Lobo - Sem dúvida, um sistema de avaliação tem um papel muito importante para aperfeiçoar o sistema de ensino superior de um país. Quase todos os países contam com isso, embora nem todos tenham sistemas governamentais de avaliação. Nos EUA, por exemplo, existem agências chamadas de “acreditação” que são organizações não governamentais que fazem a avaliação de instituições, cursos e programas. O importante é ter critérios claros, abrangentes, com uma aplicação justa e não politizada, dando oportunidade de resposta às instituições, mas que, ao mesmo tempo, tenha conseqüências se as melhorias esperadas não forem implementadas.

TIC – De que forma o novo indicador vai ajudar na orientação para a renovação das licenças de funcionamento concedidas pelo MEC?

Roberto Lobo - Um indicador único, mesmo que complexo, pode gerar algumas distorções. Por isso, é importante comparar os resultados obtidos pela instituição com a missão que ela pretende realizar, porque deve ser preservada a liberdade de orientação e priorização de cada instituição, desde que dentro dos padrões da educação superior. Sem dúvida, o conceito do Enade é um indicador importante. Já o IDD deixa dúvidas: está-se comparando estudantes diferentes (ingressantes e concluintes) e por isso é muito difícil poder associar este parâmetro ao valor agregado fornecido pelo curso a seus alunos. Por exemplo, se uma instituição era a única em determinada região e, por isso, tinha uma demanda grande de estudantes, podendo fazer um processo seletivo exigente, ela conseguia bons alunos na época que estivessem se formando. Suponhamos que, neste meio tempo, a concorrência chegou e a demanda caiu, com a conseqüente queda da seletividade. Os ingressantes, certamente, serão ‘piores’ do que eram qautro anos atrás. Quando compararmos o ingressante de agora com o concluinte de agora (que ingressou há quatro anos) os concluintes “terão agregado mais conhecimento” digamos, do que os ingressantes de quatro anos atrás, e o IDD será melhor. Esse caso indica que a instituição agregou muito valor ao conhecimento do aluno? Não! Quer dizer que o estudante que ingressa nela está piorando com o tempo! O modelo poderia ser interessante para um sistema maduro e estável, o que não acontece no Brasil de hoje.

TIC – As instituições privadas receberam 87% das reprovações. Que fatores são responsáveis pelo desempenho superior das instituições públicas em relação às particulares?

Roberto Lobo - O setor público brasileiro dispõe das melhores universidades do Brasil. São instituições tradicionais, com muitos anos de investimento, orçamentos garantidos (mesmo que não seja o desejável) para assegurar a contratação de professores e gestores com titulação acadêmica e em tempo integral, facilidades de afastamento dos docentes para participação em programas de intercâmbio, capacitação no Brasil e no exterior e congressos. Sem falar da infra-estrutura de biblioteca, informática e laboratórios. Além disso, têm prestígio merecido e são procuradas por muitos estudantes, o que resulta em uma seleção bastante grande, onde entram os melhores egressos do ensino médio. Ainda por cima, são gratuitas, o que atrai ainda mais os estudantes e aumenta a seletividade. Se há várias universidades que são o “creme” do ensino superior no Brasil, as demais instituições públicas logo abaixo destas não diferem muito das melhores instituições privadas. Há ainda algumas instituições privadas, geralmente vocacionadas para áreas específicas do conhecimento, que oferecem cursos que não deixam nada a desejar em relação às melhores públicas. Há também Instituições de Educação Superior (IES) públicas sofríveis, mas há um contingente importante de instituições privadas que, infelizmente, não foram criadas com a vocação da educação, mas como um negócio rentável sem compromisso com a qualidade. No entanto, é preciso lembrar, mas com maus resultados, que o setor privado conta somente com as mensalidades, têm dificuldades de contratar professores titulados e em tempo integral, não têm recursos para investir em pesquisa sem que isso aumente a mensalidade acima das possibilidades de seus alunos, em grande parte carentes. A equação é difícil: como ter bons professores, com titulação, em tempo integral, fazendo pesquisa, podendo se afastar para complementar sua formação no exterior e manter mensalidades compatíveis com o poder aquisitivo da maioria dos estudantes do setor privado, que pratica, em média, mensalidades abaixo do ensino médio? No setor público, quando uma IES vai mal, ele é instigado a aumentar os recursos para aquela IES. No setor privado quem pagará por isso, no caso das IES sérias que querem investir em qualidade, serão os alunos, muitos deles sem condição para isso. Por isso, sem um programa agressivo de financiamento ao aluno que possa remunerar o setor privado para exigir um ensino de graduação de qualidade, dificilmente sairemos deste impasse. Também é preciso discutir melhor os diferentes tipos de instituição e suas finalidades para que não se exija insumos que não são compatíveis com sua missão. Entretanto, há que se cobrar coerência entre missão e resultados e delas tirar as conseqüências cabíveis, para o bem e para o mal.
ALERTAS DA SEMANA

Ambiente de Educação premia seqüências didáticas de todo Brasil.

O portal educacional Ambiente de Educação (www.ambientede
educacao.com.br
) lançou o 1° Concurso Ambiente de Educação – Seqüências Didáticas, cujo principal objetivo é promover e divulgar as melhores seqüências didáticas aplicadas em sala de aula por professores das redes públicas e privadas no Brasil. O objetivo do concurso é identificar, valorizar e divulgar experiências educativas de qualidade, planejadas e executadas por professores do Ensino Fundamental I. Podem participar do concurso os professores da rede pública e privada que trabalham no Ensino Fundamental I. Devem ser inscritas para concorrer aos prêmios do concurso, seqüências didáticas planejadas e aplicadas em sala de aula pelo professor em qualquer disciplina ou área do conhecimento. As inscrições se encerram no dia 13 de outubro. Mais informações pelo site www.ambientede
educacao.com.br
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Evento internacional discute educação superior.

A Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes) está com inscrições abertas para o 2º Seminário Internacional de Avaliação da Educação Superior. O evento, que será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, em Brasília, tem o objetivo de apresentar e debater com a comunidade acadêmica as experiências internacionais de avaliação da educação superior desenvolvidas na Europa e na América do Sul. Os participantes discutirão os impactos e interfaces dos sistemas de avaliação internacionais e nacionais. Interessados poderão fazer sua pré-inscrição no site www.portal.mec.gov.br/
conaes
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Inscrições abertas para concurso sobre gestão pública.

Estão abertas, até 15 de agosto, as inscrições para o 13º Concurso Inovação na Gestão Pública Federal, promovido pela Fundação Escola Nacional de Administração Pública (Enap). O objetivo do concurso é estimular a implementação de iniciativas inovadoras de gestão, disseminar soluções inovadoras que sirvam de inspiração ou referência para outras iniciativas e valorizar servidores públicos que atuem de forma criativa e pró-ativa em suas atividades, em benefício do interesse público. Mais informações no site http://inovacao.enap.
gov.br/
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ProUni encerra terceira chamada.

Terminou, na sexta-feira (08), o prazo para os candidatos pré-selecionados em terceira chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni) comparecerem às instituições de ensino nas quais foram selecionados. Os estudantes devem comprovar as informações prestadas no período de inscrições. Entre os documentos exigidos para a confirmação estão o de identificação próprio e dos integrantes do grupo familiar, comprovante de residência e de rendimentos. O resultado dos pré-selecionados e a lista dos documentos exigidos estão na página eletrônica www.prouni-inscricao.mec.gov.br/
prouni_ialu_resultado/
resultado/
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Entrevista
Congresso internacional discutirá mapeamento do impacto da EaD

André Genesini, colaborador da ABED

Mapeando o Impacto da EAD na Cultura do Ensino-Aprendizagem. Este é o tema do 14º Congresso Internacional de Educação a Distância, que acontece de 14 a 17 de setembro, em Santos (SP). Durante o evento, organizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), pesquisadores, educadores e dirigentes organizacionais poderão apresentar seus trabalhos científicos baseados em investigação científica ou experiências inovadoras, participar de mesas-redondas com especialistas do Brasil e de outros países, realizar palestras, inserir-se em grupos de trabalho de diferentes linhas de atuação e estabelecer contatos profissionais. No total, serão apresentados 11 mini-cursos. Além destas ações também acontecerão palestras, mesas-redondas, plenárias e encontros estratégicos. O evento contará com a presença de diversas autoridades, além de profissionais e especialistas dos mais variados setores que trabalham com Educação a Distância no Brasil. A discussão será em torno de indicadores usados para determinar o impacto da EaD. No Brasil, muitos programas desta modalidade são exemplos de eficácia em termos de aprendizagem. Quando se procura, no entanto, evidências que atestem este impacto, verifica-se que há uma inexistência de um mapeamento de métodos cientificamente comprovados. Em entrevista exclusiva ao TIC Educação, o professor André Genesini, colaborador da ABED, falou sobre o evento e a importância da EaD para a educação. Genesini abordou ainda a falta de mapeamento do impacto da EaD como fator prejudicial no que se refere à disseminação da educação a distância.

TIC – Qual a importância da EaD na aprendizagem dos alunos?

André Genesini - Nos países mais avançados economicamente, onde a EaD avançou mais em termos percentuais, há uma tendência de não se diferenciar educação a distância da educação presencial, há apenas a ‘Educação’. Os cursos presenciais estão cada vez recebendo mais tecnologia, como smart boards e computadores na sala de aula. Nas universidades mais avançadas, os trabalhos feitos pelos alunos entre as aulas e as atividades em sala de aula cada vez mais usam recursos da Web 2.0, como blogs, vídeos no You Tube, wiki e podcasts, até por que é assim que os alunos se expressam hoje em dia. Ferramentas de administração de cursos on-line, ou Learning Management Systems (como Moodle, Blackboard e outros), são companheiros freqüentes das aulas presenciais, onde o professor coloca materiais de apoio e atividades para os alunos. Ao mesmo tempo, no ensino a distância, ferramentas como webcast permitem transmissão de imagem pela web ao vivo, permitindo que os alunos perguntem ao professor. Ferramentas ainda mais sofisticadas de interação, como o internacional Breeze ou o brasileiro WebAula, permitem que, além do vídeo, a apresentação possa ser trocada automaticamente em todos os computadores ao mesmo tempo. Nesse sentido, o ensino presencial e a distância se aproximam, e vão se aproximar mais ainda nos próximos anos. Cada vez mais se fala em blended learning (ensino combinado) ou simplesmente educação, pois o presencial e a educação a distância ficam cada vez mais parecidos. A única pergunta que será feita em alguns anos é qual o percentual do curso é a distância e qual é presencial. A importância mais óbvia do ensino a distância é a própria distância. Ou seja, permitir a quem não pode estar presente fazer o curso, aumentar o acesso ao ensino. Existem milhares (em poucos anos serão milhões) de pessoas que por motivo de trabalho, transporte ou deficiência, tem grande dificuldade em estar presente para fazer um curso presencial. Outra vantagem é que a maioria dos cursos a distância tem várias atividades que podem ser assíncronas (o aluno escolhe, dentre um determinado período, quando fazer a atividade, como um fórum) e várias opções de horários para outras atividades (por exemplo, o aluno escolher uma de três opções de dias na semana para participar de um chat). O horário flexível e a própria distância permitem a quem tem uma agenda imprevisível, com horários difíceis (só madrugadas livres) ou posição geográfica de difícil acesso possa fazer um curso – técnico, superior, livre (sem exigência de títulos anteriores) ou de pós-graduação. Para o ensino, seja presencial, seja a distância, ter qualidade há vários fatores envolvidos, como a qualidade dos recursos humanos (professores, coordenadores, equipes de apoio e planejamento), qualidade da infra-estrutura disponível e qualidade do conteúdo disponibilizado para os alunos. O principal fator de sucesso de um curso, porém, é o planejamento pedagógico e a metodologia envolvida, seja presencial ou a distância. No ensino a distância, porém, a questão do planejamento pedagógico e da metodologia utilizada é fundamental. Os cursos envolvem distância, muitas vezes horários flexíveis e  várias ferramentas que precisam estar sincronizadas e harmonizadas quanto aos objetivos (fórum, chat, auto-estudo com objeto de aprendizagem, aula transmitida ao vivo, aula ao vivo com interação, trabalho em grupo, avaliação por pares a distância, aprender através do trabalho). O ensino a distância também é de importância estratégica para o Brasil pelo tamanho da área do país. Estamos na era da economia do conhecimento, onde o saber é o principal fator de produção, que gera as maiores vantagens competitivas e que separa empresas e países de seus concorrentes. Atualmente, o conhecimento é valor que pode ser desenvolvido e vendido. A industrialização brasileira foi feita com uma mão-de-obra mal formada. Com o advento da microeletrônica e novos métodos de gestão da produção, especialmente na década de 1980, um novo perfil de mão-de-obra, generalista e bem formada passou a ser fator essencial e determinante da capacidade de crescimento de um país. Por isso, na década de 1990, enquanto o Brasil estava terminando de universalizar o ensino básico, os países de primeiro mundo, em um espaço de 10 anos, praticamente universalizaram o acesso ao ensino superior, com índices de acesso da população de 18 a 24 anos entre 70% e 90% ao ensino superior. Mesmo outros países em desenvolvimento (como Chile, Argentina e México) tem índices entre 35% e 50%. O Brasil está em pouco menos de 20%. Ao mesmo tempo, na Europa e nos EUA, cada vez mais se diminui a maior parte das graduações para 3 anos, para motivar que a maioria dos alunos façam o mestrado de 1 ano e meio.

TIC – Embora existam no Brasil programas eficazes de EaD, é difícil encontrar métodos cientificamente comprovados. O que explica a falta de informação sobre o impacto da educação a distância?

André Genesini - Os métodos que o ensino a distância utiliza, como metodologia educacional, são os mesmos da educação tradicional. Na verdade, no ensino a distância as metodologias pedagógicas são utilizadas com maior freqüência e intensidade do que no presencial. Por isso, quanto à teoria pedagógica, a eficiência foi comprovada pelos próprios pesquisadores que a desenvolveram. Ao utilizar Vygotsky, Paulo Freire, Piaget ou outro pesquisador da educação, as comprovações e justificativas estão na própria obra e nas pesquisas posteriores que confirmaram o método. As principais metodologias que baseiam o planejamento educacional são inúmeras (muito além desses três autores) e todas cientificamente comprovadas. Estas teorias se aplicam ao ensino presencial e à EaD. Quanto à eficácia do aprendizado do conjunto da solução a distância, existem diversas estatísticas que atestam a excelência dos cursos a distância.  Vou citar apenas três, mas relevantes. Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) aponta que os alunos a distância se saíram melhor em sete das 13 áreas onde a comparação é possível. Um estudo feito pela Universidade de Harvard demonstrou que os alunos da graduação a distância em administração têm notas maiores que os colegas presenciais. Recentemente, o site de notícias Universia anunciou que na Espanha as empresas estão preferindo alunos formados no ensino superior a distância, em relação aos presenciais, por que os primeiros são mais organizados e auto-gerenciam melhor seu trabalho. Para ter acesso a outros casos de sucesso da EaD é fundamental estar presente ao congresso ABED. Mais que saber casos de sucesso, saber como funciona cada solução. São centenas de pesquisadores e gestores de EaD que se encontram ávidos para compartilhar soluções e aprender. Muita coisa é compartilhada, alianças são formadas, metodologias e tecnologias são compartilhadas, é um espaço borbulhante de idéias, de apaixonados pelo Brasil e pela educação, trocando informações e experiências, além das autoridades e nomes renomados internacionais e nacionais que compartilham com entusiasmo suas experiências. Para quem gosta de educação é um ambiente emocionante e de intenso aprendizado.

TIC – Como comprovar que os alunos estão efetivamente aprendendo?

André Genesini - A questão do aluno estar realmente aprendendo tem duas vertentes – uma tradicional e uma mais atual. A tradicional é se a nota 10 em uma prova da instituição equivale a um 10, ou bem próximo a outras instituições de qualidade no mesmo país ou internacionalmente. Mais recentemente, a questão é se o 10 na prova equivale a 10 no trabalho e, em um plano maior, na vida. É muito comum as empresas e alunos reclamarem que o que se aprende na universidade, ou em cursos técnicos, não equivale ao que é necessário para a realidade do ambiente de trabalho. Esse tipo de relação se chama de validade prática (boa avaliação na escola equivaler à boa avaliação no trabalho e na vida). E ainda que a escola apresente validade prática, o conhecimento obtido hoje vai estar obsoleto em quatro anos. Por isso, é fundamental obter validade prática, porém, também, ensinar o aluno aprender a aprender. Isso só é plenamente possível com a educação a distância. Na EaD, através de metodologias recentes como “Aprender através do Trabalho”, o aluno desenvolve boa parte do currículo na própria empresa, desenvolvendo projetos reais com a ajuda do professor. O futuro da educação passa cada vez mais, nas áreas onde é possível, que o aluno se desenvolva no próprio ambiente de aplicação do conhecimento em atividades reais. Isso só é possível através da educação a distância. Outra prioridade é ensinar o aluno a pensar - aprender a aprender -, transformar toda situação em uma oportunidade de aprendizado.

TIC – A falta de mapeamento do impacto da EAD prejudica a modalidade no que se refere à disseminação e, em especial, à maturidade?

André Genesini – Prejudica sim. Enquanto na Espanha muitas empresas preferem alunos oriundos de graduação a distância, por que são melhores para gerenciar seu trabalho, no Brasil ainda há muita desinformação quanto às reais possibilidades e os reais resultados da EaD. Quanto à maturidade, no Brasil, a EaD ainda tem muito que se expandir para deixar de ser considerada um setor de rápido crescimento. Porém nossa EaD tem muita qualidade e quando estrangeiros nos visitam, ficam impressionados com a qualidade do que encontram. Inclusive motivam nossos pesquisadores a escrever mais em inglês para poder divulgar o que acontece aqui. O brasileiro é muito criativo e competente, cria novas metodologias eficientes com o que temos disponível.

TIC – De que forma o 14º Congresso ABED de Educação a Distância pretende contribuir na solução dessa problemática?

André Genesini – O 14º Congresso Internacional ABED de EaD contribuirá para esta questão trazendo os casos de sucesso e pessoas que são responsáveis por eles. Os casos de sucesso no aprendizado são apresentados em sessões magnas e dezenas de sessões paralelas onde estão presentes os maiores nomes e instituições da EaD brasileira. Mais que ouvir essas pessoas, elas podem ser encontradas nos corredores e em todos os dias do congresso, é uma oportunidade única para saber o que é atual e o que funciona em EaD. Metodologia, Tecnologia, Tutoria, Novas Pedagogias, Gerenciamento, Estratégia, Relação Professor- Aluno, Avaliação, Como Fazer, Como Aplicar, Como Estruturar, Como Planejar e muito mais. O Congresso conta com importantes nomes internacionais. É um espaço vibrante e borbulhante de idéias, conceitos, metodologias, amigos. Quem faz a EaD brasileira, além de representantes do governo e de entidades de classe, vão ao congresso. Durante a noite acontecem animados encontros com gastronomia, cultura e dança. No congresso, se aprende, se socializa, se forma amizades, pactos e parcerias, os caminhos e perspectivas da EaD são apresentados. A troca entre instituições e profissionais ajuda no avanço da educação e da excelência das iniciativas educacionais brasileiras, especialmente de EaD.

 
Artigo
Como a aprendizagem acontece através das TIC's
Beatriz Rizek*

Beatriz Rizek,
Diretora da Rizek Assessoria Cultural

Sem dúvida alguma, as tecnologias de informação e comunicação vêm revolucionando a forma como o indivíduo se relaciona com o ato de aprender e gerar conhecimento. Décadas atrás, quando a digitalização de materiais estava mais presente nas organizações profissionais e menos nas instituições escolares, a elaboração mental sobre os vários assuntos seguia referências lineares (muitas vezes, desatualizadas), priorizando a disseminação de conhecimentos reconhecidos por especialistas e aceitos pela sociedade “comum”. Esse processo ocorria em detrimento da capacidade individual de se pensar coisas novas, elaborar e testar hipóteses e, depois, socializar os resultados baseados não, necessariamente, na opinião técnica, mas no conhecimento tácito, na experimentação, no subjetivismo.

Com a entrada das TIC´s nos meios escolares e sua expansão nos meios corporativos, a aprendizagem pode partir tanto do indivíduo para o grupo como deste para o indivíduo, independentemente de validação e reconhecimento de terceiros. Esta aprendizagem recíproca e em massa, algumas vezes, é passível de controvérsias, mas os resultados estão aí, como Wikipédia, YouTube, Second Life, Linux, dentre outros. O Projeto Genoma Humano, iniciado em 1987, é um exemplo incontestável de pesquisa e aprendizagem colaborativas, que contou com o envolvimento de diversos laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo e deu origem ao Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano. Na área empresarial, temos a InnoCentive que, criada em 2001, opera como um marketplace, que conecta corporações, cientistas e organizações em pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de encontrarem soluções inovadoras para desafios complexos envolvendo todos os setores da economia.

A sintonia em rede, que se estabelece na era digital, aponta para o conectivismo, um modelo de aprendizagem que, em linhas gerais, se diferencia das teorias cognitivas tradicionais por levar em conta a movimentação do indivíduo pelas várias áreas do conhecimento e o modo como reage quando faz uso de uma nova ferramenta tecnológica, que nasce a partir da interação homem-máquina. No conectivismo, o indivíduo aprende ao integrar suas competências e habilidades naturais à necessidade premente de dominar os produtos online gerados pelas várias tecnologias que se lhe apresentam freqüentemente - as comunidades virtuais de aprendizagem, de prática ou as redes de relacionamentos são exemplos disso.

Participando delas, aprende-se a se organizar no caos das informações hiperlinkadas, constantemente renovadas e reavaliadas por uma infinidade de colaboradores que podem ser, eventualmente, especialistas. Nesse contexto, a aprendizagem se dá com base na elaboração de mapas mentais, nos quais um ou mais conceitos-chave são melhores compreendidos a partir da interrelação entre os vários temas ou itens que os compõem. Desta forma, aprende-se, também, a fazer a gestão do conhecimento, identificando e reunindo pessoas e bases de dados compatíveis com o que buscamos aprender.

Na aprendizagem conectivista, novas informações são continuamente adquiridas por meio de dispositivos digitais, e saber manipulá-los é parte indissociável da lição de casa para que o fluxo das informações e de conhecimentos seja mantido.

* Beatriz Rizek é diretora da Rizek Assessoria Cultural, consultora em Educação a Distância, projetos de Inclusão Digital, Responsabilidade Social e Marketing de Causas.

 
Por Dentro
Participação dos estados é fundamental para o programa Brasil Alfabetizado

Eliezer Pacheco, Secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC
Representantes das secretarias estaduais de educação se reuniram em Brasília, na semana passada, para o 2º Seminário Técnico sobre o Programa Brasil Profissionalizado. Eles discutiram o desenvolvimento do Plano de Metas do programa. Iniciativa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), o Brasil Profissionalizado surgiu para estimular a oferta do ensino médio integrado nos estados. Na abertura do seminário, o secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Eliezer Pacheco, destacou a importância do Ministério da Educação incentivar a oferta nos estados. “Queremos equipar as redes estaduais de educação profissional e tecnológica, qualificar os docentes e, com isso, promover a elevação do nível escolar do trabalhador brasileiro”, disse. Segundo Eliezer, isso só é possível com a participação efetiva dos estados. O Brasil Profissionalizado é um programa de financiamento e assistência técnica destinado a ampliar e qualificar a oferta de educação profissional e tecnológica de nível médio nas redes estaduais. A meta é investir R$ 900 milhões nos próximos quatro anos na construção, ampliação ou reforma de escolas públicas de ensino médio e profissionalizante.
 
48% dos brasileiros usam internet em locais públicos

A terceira edição do F/Radar, pesquisa conduzida pelo DataFolha a pedido da F/Nazca, constatou que dos 59 milhões de brasileiros adultos, com idade acima de 16 anos, que acessam a internet, 48% navegam em locais públicos (29% em Lan houses, 10% em escolas, faculdades ou universidades e 9% em postos de acesso público). A pesquisa registra um crescimento no acesso à internet em locais pagos (de 19% para 29%) e em casa de parentes ou amigos (de 13% para 21%), na comparação com o estudo de agosto de 2007. O estudo realizado nos dias 26 e 27 de março, com 2.110 pessoas em mais de 150 municípios - 40% da região metropolitana e 60% do interior - mostra que 47% da população adulta tem acesso à internet no País. Em 2007 a penetração era de 38% da população adulta, mas o Datafolha ressalta que o modelo de questionamento foi modificado em relação ao ano passado. Os dados superam o volume de 41,5 milhões de internautas adultos, indicado pelo Ibope/NetRatings, em junho. Na avaliação do DataFolha, 25% dos brasileiros adultos possuem internet em casa, especialmente via banda larga, e 21% têm o costume de utilizá-la. A média de acesso é de 3,6 dias por semana. Se a relação entre renda per capita e acesso à internet existisse, o Brasil teria 6 vezes mais pessoas com acesso à internet que os Estados Unidos, por exemplo.

 
Petrópolis terá unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica

Rubens Bomtempo, prefeito de Petrópolis

A cidade de Petrópolis (RJ) terá uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) a partir de setembro. Serão oferecidas, inicialmente, 80 vagas para cursos superiores em tecnologia e licenciatura em Física. O centro oferecerá outras 40 vagas para alunos da rede pública da cidade. A idéia é que a unidade do Cefet da cidade, que tem tradição em parcerias com entidades privadas, coloque no mercado 1.200 pessoas. O prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, disse que o pólo tecnológico da cidade, criado há nove anos, conta atualmente com 70 empresas. Durante a abertura do Festival de Tecnologia de Petrópolis (FTP), que aconteceu na semana passada, Bomtempo falou que a falta de mão-de-obra é um gargalo nacional. "O poder público tem que focar na formação de mão-de-obra técnica e de graduação", afirmou. “TI e software vêm ficando mais presentes em todos os segmentos da cidade”, disse o prefeito quando perguntado sobre qual é a participação da indústria de tecnologia para a economia local.

 
E-Tec reúne gestores em Brasília

Hélio Chaves,
diretor de Regulação e Supervisão da Seed

O Ministério da Educação reuniu, na última sexta-feira (08), em Brasília, 70 gestores de cursos técnicos de ensino médio que serão oferecidos na modalidade a distância. O Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil), ação das secretarias de Educação a Distância (Seed) e Educação Profissional e Tecnológica (Setec), aprovou o funcionamento de 193 pólos e 143 cursos em todo o país. Os participantes foram divididos em grupos, por região, para discutir temas como planilhas de financiamento e realização de processos seletivos. De acordo com o diretor de Regulação e Supervisão da Seed, Hélio Chaves, a orientação é que os processos seletivos ocorram nos próximos 12 meses. “Isso dependerá da programação de cada instituição. Mas deve ocorrer neste segundo semestre”, informou. Além disso, a seleção dos tutores que irão atuar nos pólos presenciais também será coordenada por cada uma da instituições. “Para a seleção de tutores, estamos sugerindo às instituições ofertantes que promovam processo seletivo simplificado”, disse o diretor da Seed. Já professores, coordenadores e demais cargos técnicos e administrativos deverão ser preenchidos por profissionais que já atuam nas instituições. Outra informação repassada aos representantes dos centros federais de educação tecnológica e escolas técnicas foi em relação ao conteúdo. O Ministério da Educação financiará o material didático, que está sendo produzido coletivamente e depois estará disponível no Portal do Professor e no Portal Domínio Público. As instituições receberão recursos do MEC para a impressão do material. A diretora administrativa financeira do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), Joésia Pacheco, disse que a expectativa é a melhor possível no estado amazonense. Lá, serão implementados 13 pólos em municípios diferentes. “A educação a distância nos dá a possibilidade de ampliar a oferta de vagas, o que não poderia ser feito no modelo presencial porque o custo é muito alto, devido às dimensões geográficas do Amazonas”, enfatiza. No estado do Amazonas serão 1.450 vagas.

 
Inscrições para prêmio Educadores Inovadores Microsoft se encerram

A Microsoft Brasil encerrou as inscrições para a terceira edição do Prêmio Educadores Inovadores, que tem como objetivo reconhecer os melhores projetos educacionais brasileiros que utilizarem a tecnologia no processo de ensino e de aprendizagem. Os vencedores serão conhecidos no evento de premiação que será realizado no dia 03 de setembro de 2008, em São Paulo. Na ocasião, os grupos finalistas terão a oportunidade de apresentar seus Projetos à Banca Examinadora e aos educadores convidados. Os primeiros colocados disputarão a etapa regional, que será realizada na Guatemala nos dias 24 e 25 de setembro de 2008. O concurso é aberto a educadores de escolas de ensino fundamental e médio da rede pública, fundações, secretarias de educação e organizações não-governamentais que participam dos programas educacionais que a Microsoft mantém em 20 estados do Brasil. Uma banca formada por renomados educadores do país vai avaliar cada um dos inscritos e selecionar oito finalistas. Este ano, o prêmio terá três categorias: Aluno Monitor, Gestão Escolar e Tecnologias, e Educador Inovador. As duas primeiras são categorias que vão avaliar projetos desenvolvidos em conjunto com a Microsoft por meio da iniciativa Parceiros na Aprendizagem. O item Educador Inovador é uma categoria que visa reconhecer quem se destacar no desenvolvimento de práticas inovadoras de ensino com o uso da tecnologia da Microsoft. Serão premiados dois projetos nesta categoria. Para os vencedores de cada categoria, o prêmio será um notebook contendo o sistema operacional da Microsoft Windows Vista e a nova versão do pacote de aplicativos Office 2007.

 
 
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